Mostrando postagens com marcador Thierry. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Thierry. Mostrar todas as postagens

4.12.15

Resenha #40 - A Comédia Trágica ou a Tragédia Cômica de Mr. Punch

A Comédia Trágica ou a Tragédia Cômica de Mr. Punch é uma história em quadrinhos escrita por Neil Gaiman e ilustrada por Dave McKean. A trama passa em Portsmouth, cidade do litoral da Inglaterra, e é montada por meio de memórias de um homem. A obra tem um pequeno problema com regionalização, já que Punch and Judy é um teatro de marionetes muito tradicional na Inglaterra tradicional, mas vamos conhecendo aos poucos sobre durante a HQ, com algumas breves explicações de Swatchell e várias cenas mostradas.

Punch e Judy é uma peça infantil de marionetes que tem raízes no século XVI. Conta a história do próprio Mister Punch, um polichinelo (figura originada na commedia dell’arte, tendo como características o fato de ser corcunda, ter o nariz curvo e representar um homem do povão, ocioso, porém ardiloso) que basicamente comete vários assassinatos durante a peça, como o de Judy, sua mulher, seu próprio bebê e até mesmo do diabo (mas tudo de uma maneira exagerada e cômica). E é aí que o título tem origem, porém, durante a HQ, o lado trágico é muito mais explorado.

Não é revelado o nome do protagonista e ele é o narrador de sua própria história, que é desenvolvida com base nas lembranças que tem da peça de Punch e Judy, de pessoas marcantes em sua vida e de suas férias passadas na casa dos avós maternos. As lembranças, na maior parte da história são da infância do protagonista e são narradas com uma visão infantil, sendo assim bem fantasiosas, com um ímpeto para descobertas e sempre questionando os adultos. A peça de Punch e Judy está presente durante a HQ inteira, aparecendo em atos de tempo em tempo e sempre chocando e deixando o protagonista curioso por aquela tragédia cômica.


Já o período passado na casa dos avós é mostrado durante a maior parte da HQ e é responsável por apresentar personagens secundários importantes para o protagonista. Como o próprio avô, que é responsável por um fliperama perto de falir em Portsmouth; o tio-avô Morton, seu parente preferido, por conseguir o olhar olho a olho, devido ao fato de Morton ser corcunda, deficiência que é tratada com mistério durante toda a HQ; o professor (nome dado ao apresentador de Punch e Judy) Swatchell (que vem da palavra Swazzle, um dispositivo usado pelos professores para fazer a voz de Mr. Punch, que é aguda e esganiçada), que é responsável por apresentar os bastidores da peça para o narrador, dando um ar místico para cada marionete e para a origem de Punch; e também a sereia, que trabalha num tanque no fliperama de seu avô e passa por problemas após uma gravidez indesejável.


Neil Gaiman e Dave McKean tem uma parceria de sucesso em várias áreas, como no livro Coraline, no filme MirrorMask e em várias HQs, como Sandman (onde o Dave é responsável apenas pelas capas), Orquídea Negra, Sinal e Ruído, entre outras. Dave McKean traz o melhor de sua arte, fazendo sobreposições de imagens e misturando desenhos com fotografias. Trabalhando, principalmente, com cores neutras e frias, para aumentar a dramatização da obra. E Neil Gaiman trabalha muito bem com as memórias, construindo um abrigo com a inocência e curiosidade de uma criança em um mundo de adultos.
Editora: Conrad
ISBN: 978-85-7616-41-2
Gênero: Drama
Páginas: 104

Minha avaliação: ★★★★
Resenha feita por Thierry Vasques

19.11.15

Resenha #39 - Persépolis

Olá, aqui é o Thierry e estarei falando sobre Persépolis, que é uma história em quadrinhos escrita e desenhada por Marjane Satrapi com o intuito de mostrar para os seus amigos ocidentais como foi a sua vida no Irã e os quatro anos de sua juventude passada na Áustria. O título da obra vem de uma cidade histórica localizada no atual Irã e significa "Cidade dos Persas" e diz muito sobre o contexto histórico que é extremamente necessário saber para uma melhor compreensão da obra.

O volume único começa com uma introdução para nos situarmos na história do Irã, região que fazia parte do Império Persa e acabou sofrendo com diversas dominações, sendo a invasão árabe em 642 uma das mais marcantes, com os árabes impondo seus costumes,  como a religião islâmica, aos persas. Mas essa subordinação começou antes, como é mostrada durante a HQ. O Povo persa viveu mais 2500 anos de submissão e tirania (iniciada pelos próprios imperadores persas durante o Império Sassânida, último império persa pré-islâmico) e isso moldou a história e a cultura iraniana, que, por ser uma mistura de vários povos, torna-se algo singular e instável. Ainda no contexto histórico, devemos lembrar que após a Segunda Guerra Mundial, o Oriente Médio foi um território muito disputado devido às grandes reservas de petróleo. O Irã tornou um estado fantoche - o Xá (título dos monarcas iranianos) Mohammad Reza Pahlavi foi posto de volta no poder do Irã pelos ingleses, que em troca ganhavam petróleo e grande influência no território- e a população se revoltou contra esse governo opressor em 1979, na conhecida Revolução Iraniana, que derrubou o Xá e instalou uma República Islâmica, o que não acabou com a tirania do governo e a submissão do povo. E é nessa transição que Marjane começa a contar a sua história.


Satrapi cresceu em uma família politizada, moderna e apenas um pouco religiosa. Ela foi educada em uma escola francesa e laica até os 10 anos, quando se viu obrigada a usar o véu pela primeira vez, pois o governo de cunho religioso fechou às escolas bilíngues por ser um sinal de decadência ocidental e criou novas escolas separando as crianças por sexo. Desde cedo Marjane mostra-se disposta a aprender e que tem uma veia revolucionária, inclusive nas suas leituras influenciadas pela família e amigos. Que varia das ideias socialistas de Marx, do anarquismo de Bakunin, do feminismo de Beaviour, da psicanálise de Freud, entre outros pensadores que são citados durante o livro.

Os personagens secundários são muito bem trabalhados e moldam a vida de Sartrapi. Como a empregada que ela tinha quando criança, Marjane se perguntava o porquê dela não poder comer na mesa junto à sua família; a sua avó que é vista como um porto seguro e conselheira; o seu rebelde tio que é visto como um herói após sobreviver várias torturas durante o Império e morrer como preso político durante a república islâmica; os seus pais protetores, sempre a postos contra o governo tirano e dispostos a fazer o que for preciso para um bom futuro para a filha; e os amores conturbados que a ajudou a se firmar após momentos tristes.

A primeira viagem de Marjane para a Áustria, deixa bem claro a diferença sociocultural entre o ocidente e o oriente. Na Áustria ela era vista como uma pobre islâmica e no Irã como uma perversa com visões ocidentais. Depois de quatro anos em Viena, ela voltou para o Irã em depressão, inclusive tentando se matar, mas ao não conseguir, percebeu que precisava mudar de vida. Se formou em Artes no Irã e se mudou para a França, onde vive até hoje.


Outros assuntos delicados são tratados durante a HQ, como o extremismo religioso, mostrando que não é algo exclusivo do islamismo, sendo ela insultada gratuitamente diversas vezes por freiras. O alistamento de crianças no exército, para as quais eram dadas uma chave para o paraíso com direito a comida à vontade, mulheres, casa de ouro e diamante. O desprezo com os imigrantes iranianos na Europa, sendo tratados como nada e tendo que começar do zero, até mesmo os que tinham de tudo no país natal.

Na parte técnica, Marjane usa uma arte simples, com poucos detalhes e focando mais nas expressões das personagens. A narrativa é bem didática, não deixando passar nenhum detalhe sobre os costumes, o que se passava no Irã e dos vários problemas durante sua vida. Para auxiliar a narrativa, o volume é dividido em vários capítulos divididos por temas em ordem cronológica, que ajuda a filtrar os assuntos, não falando de muitos de uma vez só.


Persépolis é uma HQ marcante por apresentar uma forte mulher como protagonista, que luta pelos seus direitos como mulher em uma sociedade extremamente machista e por mostrar como sua foi sua vida num Irã com guerras constantes e extremismo religioso e como foi difícil ser aceita como iraniana numa sociedade ocidental. Marjane também é responsável por desconstruir estereótipos do Oriente Médio. Mostrando que existem vários povos na região e que nem todos que seguem a religião islâmica são extremistas. Ela consegue nos deixar próximo do Irã, diminuindo a enorme distância que parece ter entre o Ocidente e o Oriente Médio. Apenas parece.

Editora: Companhia das Letras
ISBN: 978-85-359-1162-6
Gênero: Autobiografia
Páginas: 352
Minha avaliação: ★★★★★


16.11.15

[Novo Colaborador] Apresentação: Thierry Vasques

Olá, sou Thierry Vasques, tenho 18 anos, sou de Rio Claro e serei o novo colaborador do blog. Atualmente estou à espera de conquistar uma vaga num curso de audiovisual, enquanto isso aproveito livros, histórias em quadrinhos, filmes e músicas. Além de participar do coletivo de cinema Kino-Olho.


Estarei escrevendo, principalmente, sobre histórias em quadrinhos, mas também falarei sobre filmes e livros. A minha primeira resenha (que vai ser postada ainda nessa semana) será sobre Persépolis, HQ autobiográfica escrita e desenhada pela iraniana Marjane Satrapi. Ela narra o seu crescimento no país localizado no Oriente Médio, mostrando um país totalmente diferente da visão ocidental que temos.

Então fiquem ligados no blog para as postagens que virão e até a próxima!

Contato/Redes Sociais:
© FLORETIZAS - FOTOS E TEXTOS FEITOS POR TABATHA CUZZIOL, SENDO PROIBIDO COPIAS.
DESIGNER FEITO POR: MICHAEL VASCONCELOS.
imagem-logo